ENERGIA E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: o progresso e a preservação ambiental

 Por Rubens Teixeira*

A oferta e a demanda de energia no mundo são tão relevantes que analistas atribuem à manutenção de controle do mercado energético como possível razão de algumas guerras recentes. Os países que não são autossuficientes em energia procuram diversificar geograficamente seus fornecedores para que não sejam afetados por conta de uma crise externa localizada que possa prejudicar seu abastecimento. As razões de tal preocupação são plenamente justificáveis, pois sem energia não há desenvolvimento, defesa ou conforto para a população. Essas questões provocam prejuízos políticos para os governos ou interferências na soberania nacional. Trata-se de relevante problema para projetos de Estado e de governo.

As fontes de energia podem ser classificadas em renováveis e não renováveis. As primeiras são aquelas cuja origem é passível de renovação pela própria natureza, como, por exemplo, a energia hidráulica, a biomassa, a solar e a eólica. As não renováveis são as que podem ter as fontes exauridas pelo uso contínuo, como os combustíveis fósseis (petróleo, gás natural e carvão) e a nuclear.

Sobre a energia nuclear, a sociedade não conhece com exatidão seus benefícios e riscos, o que faz o inconsciente popular associá-la, indevidamente, à bomba atômica e suas consequências. Entretanto, diversos países vêm expandindo seu uso consideravelmente. Na França, mais de 76,9% da energia elétrica é de origem nuclear – equivalente a 17% da produção mundial. No Brasil, menos de 3%. Além da energia elétrica de origem nuclear, outras formas de uso da energia nuclear são possíveis, como, por exemplo, tratamentos de câncer, diagnósticos médicos de alta precisão, esterilização de equipamentos médicos e irradiação de alguns tipos de alimentos para aumentar em algumas vezes sua durabilidade, a depender do tipo de alimento.

Para suprimento da demanda por energia quando os reservatórios das usinas hidrelétricas estão em baixa, utiliza-se alternativamente a energia gerada por termoelétricas, que podem ser a gás, carvão ou óleo combustível. Dentre estas opções, a menos poluente é a termoelétrica a gás.

O uso das fontes de energia versus as leis de mercado de oferta e demanda é influenciado por outros fatores externos relacionados à sustentabilidade, seja no aspecto econômico, ambiental ou social. A disciplina no uso da energia é um fator a ser desenvolvido pela sociedade de um modo geral. Ao economizarmos mais energia, afetamos menos a disponibilidade da mesma, mantemos o meio ambiente mais preservado e o preço da energia tenderá a reduzir, ou, pelo menos, reduzirão as pressões de aumento de preços.

É imprescindível buscar constantemente a inserção de novas modalidades de fontes de energia na matriz energética brasileira, associada à adequação do uso dessa matriz. O crescimento econômico e a democratização do uso da energia caracterizam-se, por exemplo, pela entrada de novos consumidores da área rural e de regiões antes desprovidas desse recurso, e, consequentemente, aumentam a demanda de fontes de energia limpas e renováveis.

O Brasil é um país de dimensões continentais. Sabe-se que os grandes centros são os maiores consumidores. Todavia, os lugares mais longínquos e pouco desenvolvidos só terão maior desenvolvimento a partir da disponibilidade de um potencial energético adequado em cada ponto de demanda. Para alcançar este resultado é necessária uma cadeia conjunta de produção e distribuição de energia. A infraestrutura adequada só chegará depois que houver energia suficiente e disponível. Por esse motivo, além da produção, a distribuição de energia também possui grande relevância na estratégia de desenvolvimento, além do padrão de consumo que, normalmente, é regido pelas leis de oferta e procura reguladas pelos preços de mercado.

A despeito de todas as críticas passíveis, espera-se que o petróleo ainda seja um componente relevante da matriz energética por muitos anos. Assim, cabe ao país e às empresas cumprirem o seu papel, ou seja, executar a tarefa de explorá-lo, sem perder a visão das outras fontes energéticas.

Apesar de o petróleo ser uma fonte de energia barata, não se pode deixar de lado as pesquisas relacionadas às demais fontes energéticas menos poluentes e que possam garantir um desenvolvimento sustentável. Não deve haver preferência, por simpatia, de uma forma em detrimento da outra, mas por viabilidade econômica, social e ambiental. A escolha deve ser consciente, com embasamento teórico e não emocional, sob pena de levarmos o debate para fora da seara correta e deturparmos os conceitos que devem ser analisados, sobretudo, de forma científica em busca do bem para a humanidade.

Alguns temas são correlacionados por fazerem parte de peças da engrenagem do desenvolvimento sustentável. A produção e demanda de energia afetam a produção e distribuição de alimentos, seja pelo compartilhamento do solo e investimentos para a produção de energia ou mesmo pela necessidade logística de transporte e industrialização de alimentos. Isso vale para outros itens de consumo da sociedade.

Por outro lado, a geração de energia provoca impactos no meio ambiente, podendo, inclusive, afetar a segurança hídrica ou ambiental. A sustentabilidade econômica, social e ambiental leva em conta toda essa relação matricial de interferências múltiplas que pesam sobre as escolhas estratégicas, tornando as tomadas de decisões mais complexas. Por conta dessa problemática, torna-se imprescindível que a sociedade civil deva participar do processo e ser informada para compreender com clareza as medidas tomadas pelo governo, tendo assim condições de propor soluções alternativas.


Para o debate ser mais proveitoso, é necessária melhoria nos níveis de educação e discernimento da população. A partir de tais melhorias, ficam claras as necessidades de valorização das definições de prioridades estratégicas, relacionadas à implantação de novas tecnologias, e as construções adequadas aos modelos de sustentabilidade. Dessa forma, serão alcançadas possibilidades de desenvolvimento sustentáveis, preservando as condições de vida das gerações futuras.

A participação social efetiva nos debates permitirá o fortalecimento dos direitos de cidadania e gerará um maior comprometimento coletivo, visando à mitigação dos efeitos climáticos já iniciados. O envolvimento da sociedade no debate fará com que a opinião pública seja mais consciente de suas escolhas. Mudanças comportamentais, como não usar automóveis com a emissão de gases poluentes desregulada, evitar queimadas, priorizar o uso de equipamentos que consumam menos energia, economizar água, e tomar medidas que evitem a contaminação de reservatórios de água, dentre outras, já trarão benefícios que, se somados, diminuirão os impactos negativos sobre o meio ambiente.

Outro ponto que merece destaque é a reestruturação da malha viária. A otimização do uso dos meios de transporte ocasionará o menor desperdício de recursos energéticos. A melhor utilização da malha viária e do transporte público propiciará uma eficiência no uso dos recursos energéticos, associada a um menor impacto no meio ambiente devido à redução do fluxo de emissão de gases poluentes. O resultado imediato será o ganho na qualidade do ar e a diminuição do impacto futuro sobre o clima, além de redução dos custos energéticos.

Para apontar as perspectivas futuras de novas utilizações, pode-se citar o uso em automóveis. As grandes montadoras já estão desenvolvendo protótipos de carros com motor híbrido, com propulsão à combustão e energia elétrica, como também automóveis movidos unicamente a energia elétrica. Alguns circulam em fase de testes nas grandes cidades. Projetos de engenharia, mais ousados e recentes, já contemplam tomadas em estacionamentos para a recarga de carros elétricos.

O Brasil é um país privilegiado por ter várias alternativas energéticas disponíveis. A matriz energética de um país é uma escolha estratégica da sociedade, implementada pelo governo, com base no que há disponível e no que se entende por melhor. A perspectiva energética do Brasil é uma das melhores do mundo. A continuidade de implantação da infraestrutura adequada nos permitirá ter energia em grande quantidade, tanto para consumo próprio quanto para exportação.

Dentre as boas perspectivas que o Brasil possui, citamos algumas: é o país com a maior extensão territorial com incidência solar na quase totalidade do ano, o que é uma grande fonte de energia; o extenso litoral permite o aproveitamento da energia eólica, ainda pouco utilizada; ainda existem áreas não exploradas para a cultura de plantas que são insumos para a produção de combustíveis, como a cana-de-açúcar e a mamona; o potencial hidrelétrico ainda não é totalmente utilizado. Os recursos naturais estão, em grande medida, disponíveis para o nosso desenvolvimento e não precisamos destruir o meio ambiente para isso. O Brasil se reerguerá e se consagrará como potência internacional tão rápido quanto nós brasileiros sejamos capazes de fazê-lo.

* Rubens Teixeira é analista do Banco Central do Brasil, ex-diretor financeiro e administrativo da Transpetro, professor, escritor e palestrante. Doutor em Economiaimage (UFF), mestre em Engenharia Nuclear (IME), pós-graduado em Auditoria e Perícia Contábil (UNESA), engenheiro de fortificação e construção (IME), formado em Direito (UFRJ, aprovado na OAB-RJ), bacharel em Ciências Militares (AMAN). Foi um dos ganhadores do Prêmio Tesouro Nacional com trabalho baseado em sua tese de doutorado intitulado: “A Importância da Credibilidade para o Equilíbrio Fiscal: uma avaliação para o caso brasileiro”. É coautor do best seller “As 25 Leis Bíblicas do Sucesso” e do “DESATANDO O NÓ DO BRASIL: propostas para destravar a economia e travar a corrupção.”

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