ELEITOR BRASILEIRO: só isso impede o Brasil ser potência

Por Rubens Teixeira*

A diferença entre boa parte do eleitor brasileiro e o do primeiro mundo é que o brasileiro usa muitas vezes o tema “combate à corrupção” de forma pragmática. Ou seja, usa o discurso anticorrupção de forma oportunista.

O eleitor brasileiro escolhe seus governantes e legisladores. As notícias mostram que no Brasil há corruptos, pelo menos, na maioria dos grandes grupos de poder (pelo menos porque prefiro ser ingênuo do que generalizar). Conhecidos ladrões ocupam espaços importantes nos governos e casas legislativas, mostrando a índole de governantes e legisladores: todos eleitos ou reeleitos.

Mas, boa parte das vezes, quando o corrupto é ideologicamente desalinhado com determinado eleitor, o tal brasileiro ataca a corrupção do seu desafeto. Quando é corrupto aliado à ideologia do eleitor, o brasileiro fica leniente com a corrupção do representante da sua ideologia. Finge que não vê.

No primeiro mundo, não prospera facilmente a ideia implícita de corrupto preferido, corrupto alinhado, malvado favorito, mal necessário etc. Esses argumentos prosperam em uma sociedade corrupta e desonesta intelectualmente.

Isso perpetua a desigualdade, a destruição, a violência, a roubalheira e o baixo nível de desenvolvimento. O Brasil tem tudo para ser potência, basta que a maioria do povo brasileiro se comporte como povo de uma potência.

Combate à corrupção não admite pragmatismos. Todos devem, de fato, aderir à ideologia anticorrupção e combater os desvios entre seus próprios aliados ideológicos, filosóficos, religiosos, corporativos etc. Do contrário, o Brasil continuará um país rico, mas roubado com a conivência de um povo que despreza seu futuro e das próximas  gerações, mas sempre capaz de explicar suas tragédias com “bons” argumentos evasivos e, muitas vezes, intelectualmente corrupto.

* Rubens Teixeira é analista do Banco Central do Brasil, ex-diretor financeiro e administrativo da Transpetro, professor, escritor e palestrante. Doutor em Economiaimage (UFF), mestre em Engenharia Nuclear (IME), pós-graduado em Auditoria e Perícia Contábil (UNESA), engenheiro de fortificação e construção (IME), formado em Direito (UFRJ, aprovado na OAB-RJ), bacharel em Ciências Militares (AMAN). Foi um dos ganhadores do Prêmio Tesouro Nacional com trabalho baseado em sua tese de doutorado intitulado: “A Importância da Credibilidade para o Equilíbrio Fiscal: uma avaliação para o caso brasileiro”. É coautor do best seller “As 25 Leis Bíblicas do Sucesso” e do “DESATANDO O NÓ DO BRASIL: propostas para destravar a economia e travar a corrupção.”

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