Meia verdade sobre os juros que a mídia “inocente” vende para o “generoso” cidadão “comum” 

Rubens Teixeira, Henrique Forno e Márcio Araujo *

O Comitê de Política Monetária (COPOM), que na verdade é composto pela Diretoria do Banco Central, reduziu a taxa de juros SELIC de 14,25% para 14%. Renomadas mídias estão divulgando que isto gerará redução na taxa de juros ao consumidor.

Conforme explicamos no livro DESATANDO O NÓ DO BRASIL, o que provocaria a queda acentuada na taxa de juros ao consumidor seria a redução, também por parte do Banco Central, da taxa de recolhimento de depósito compulsório sobre os recursos à vista.

Mas o que é isto? Essa taxa representa um montante em dinheiro sobre todos os depósitos em conta corrente feitos nos bancos comerciais pelos correntistas. Esse montante é retido pelo Banco Central e não está disponível para empréstimo por parte desses bancos.

Nos EUA, por lei, o depósito compulsório deve ficar entre 7% e 22% estando, na prática, por volta de 10%, enquanto que na China essa taxa está em 17,5% para os maiores bancos. No Brasil, a taxa de recolhimento de depósito compulsório está em está em 45%, ou seja, cerca de três a quatro vezes maior que a dos países citados!

Pouco se fala no que seria de fato a libertação dos brasileiros da escravidão de juros extorsivos. Na verdade, os bancos ganham muito do governo com a SELIC alta e ganham muito do cidadão com os juros ao consumidor alto.

Assim, tudo sai do bolso do cidadão, pois o Governo paga os juros da dívida com base na SELIC. Esse pagamento de juros é feito com recursos do Tesouro Nacional, oriundos dos impostos altíssimos pagos pelos cidadãos. Ou seja, ficou claro porque, mesmo na crise, o lucro dos bancos é generoso?

* Rubens Teixeira é doutor em Economia pela UFF, mestre em Engenharia Nuclear pelo IME, com graduações em Engenharia de Fortificação e Construção pelo IME e em Direito pela UFRJ. Ganhou os prêmios Tesouro Nacional com sua tese de doutorado em Economia e Paulo Roberto de Castro com sua monografia de Direito. É Analista do Banco imageCentral do Brasil, ex-diretor Financeiro e Administrativo da Transpetro, além de escritor, professor universitário, palestrante e radialista.

* Henrique Forno é doutor em Economia pela EPGE/FGV com graduação em Engenharia de Fortificação e Construção pelo IME. Sua atuação lhe rendeu premiações como o BBM 2003 e Comissões Regionais de Obra do Exército. É Analista do Banco Central do Brasil, professor universitário e ex-assessor parlamentar no Senado Federal.

* Márcio Araujo é doutor em Economia pelo Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, mestre em Planejamento Energético pela COPPE/UFRJ e Engenheiro Civil pela UFRJ. É Analista do Banco Central do Brasil, onde participa de estudos voltados para o desenvolvimento do mercado doméstico de títulos públicos. Possui, também, atuação sindical na qualidade de Diretor do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal).

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